Novembro 14, 2009

bateram à porta...

... para te ver. Nua. E assim cumpriste os desejos de quem te tinha desejado. De quem tinha espalhado olhares pelo teu corpo durante o café da manhã, tocando-te com pensamentos de pele beijada. Tu provocas. Barras manteiga numa torrada quente que escorre em dois dedos teus. Tu provocas, lambendo-os com um sorriso que pousa na mesa do lado, adoçando o chá que se bebe em goles demorados e que se entorna em reacção ao inesperado. Tu provocas: um guardanapo que cai propositadamente e apanhas de seguida, distraidamente com movimento de libidos matinais. Deixas brecha em decote que generosamente expõe os seios, fazendo mexer sentidos. Tu provocas, e nua abres a porta expondo-te, cumprindo promessas esboçadas durante o pequeno-almoço. Bateram à porta e mostraste-te numa nudez que se espalhou pelo corredor em ondas que encheram espaços vestidos de vazios. Bateram à porta, não era ninguém, mas tu provocas.


Novembro 04, 2009

era um filme a preto e branco...

... onde o teu corpo violava regras, aparecendo a cores. O xadrez das paredes ficou impossível de jogar. O preto invadiu o branco deixando somente a perpendicularidade alva de linhas em cruzamentos sem semáforos – era um filme a preto e branco. O branco, esse, fugiu diluindo-se em cortinas de plástico depois de feroz perseguição. Marcas são visíveis. Linhas de tiros negros, rasantes inter cortados, vêem-se em traços rectos que espreitam o teu corpo, os teus seios, a tua pele apaziguadora de uma guerra descolorida e pobre. Tu, assim nua, como um anjo, entraste devagarinho em cena, miraste-te ao espelho mostrando-te imperial e segura. Reparei mesmo que tudo em volta se agitava. A luz tremulava excitada sobre o espelho, a escova erecta ansiava por te beijar, o sabonete deixava cair as primeiras gotas e eu próprio aguardava pacientemente o momento em que molhada gritas: ACÇÃO!





Outubro 29, 2009

entras em vento...

... de Outono, molhada por chuva miudinha. Entras assim, vinda de sul, e enrolas-te em cortinas finas que te acolhem e te afagam a pele, com sinais de Outubro. As árvores já em despedida, seminuas, dançam com folhas amarelecidas esperando quedas acrobáticas e suaves em circos de Invernos rigorosos. Assobiam, ao ver-te chegar, entoando sonatas que tu bebes em bailados transparentes, no palco da janela do meu quarto. Exibes-te em peça improvisada, com monólogos de um corpo crescendo em excitação. Falas contigo, usando dedos expressivos que embalam seios expectantes. De quando em vez, espreitam à boca de cena, envergonhados, e sorriem para mim. Tentam-me, endurecidos por dedos finos, que os moldam. Consigo ver o teu sexo iluminado por uma lua que imagino no cenário. Distingo os lábios brilhantes, molhados por movimentos do 1º acto e tento adivinhar histórias que tens para me contar. Imagino actos vindouros e invertendo ordem teatral, entro em cena entrando em ti e tomo conta do teu corpo comandado pelas velhas pancadas de Molière.

onde sonham connosco...

... desde 22.09.2009

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